Em muitos corredores corporativos ouvimos uma frase que parece proteger o RH de críticas, mas na prática produz o efeito oposto: “na dúvida, treina todo mundo”. Essa atitude, que soa proativa à primeira vista, representa um dos equívocos mais caros e comuns quando se fala em treinamento e desenvolvimento (T&D).
O senso comum sugere que, se um problema aparece em determinado setor, o caminho é reunir as equipes e aplicar um treinamento em massa. No entanto, treinamento não é vacina coletiva, é remédio que exige diagnóstico e dosagem correta. Ao insistirmos nesse formato sem análise, estamos desperdiçando tempo, recursos e, sobretudo, o capital de confiança do RH.
“Treinar todo mundo pode, na verdade, não ajudar ninguém.”
O erro inicial: o impulso de treinar para tudo
Quando um desafio surge na operação, é comum o RH receber pedidos para arbitrar treinamentos. Lá se vai a agenda dos colaboradores, as horas investidas e o dinheiro do orçamento. O problema reside em tratar qualquer sintoma como se fosse falta de qualificação, quando, na verdade, nem todo problema se resolve com treinamento.
- Se o sistema trava e impede os funcionários de executar tarefas, não é um curso que resolve, mas sim manutenção de TI.
- Se a meta é inatingível, não adianta capacitar: revisões estratégicas são necessárias.
- Se a insatisfação é crescente, talvez seja hora do RH agir como consultor, não apenas executor.
Já testemunhamos empresas aplicando treinamentos para contornar desmotivação, ruídos internos causados por processos antigos ou tentando corrigir erros de gestão. O resultado mais frequente? Participantes desmotivados, baixa transferência do aprendizado e aquela sensação de que treinamento é mera burocracia, e não um canal de crescimento.
O custo invisível do treinamento desnecessário
Muito além do valor do curso, do coffee break ou da diária do instrutor, o desperdício real é silencioso. Veja alguns custos muitas vezes não considerados:
- Tempo dos colaboradores fora da operação.
- Horas não-produzidas enquanto participam de capacitações irrelevantes.
- Administração extra por parte do RH para organizar listas, convites, salas e certificações.
- Perda de confiança: cada treinamento “à toa” diminui a fé da equipe na real transformação via T&D.
O engajamento se esvai. A produtividade real despenca. E, segundo resultados apresentados em pesquisa da FGV EAESP, a queda no engajamento dos trabalhadores brasileiros chegou a 39% em 2025, acarretando perdas anuais de R$ 77 bilhões, entre turnover e presenteísmo.
Os 8 erros que alimentam o prejuízo oculto
Ao longo dos anos, compilamos os oito principais deslizes na gestão de treinamentos em massa que resultam diretamente em desperdício e desgaste interno:
- Treinar todo mundo “na dúvida”: Falta de direcionamento leva ao erro clássico de aplicar treinamentos indiscriminadamente, sem analisar necessidades reais.
- Confundir falta de recursos com falta de capacidade: Aplicar treinamentos quando o verdadeiro entrave está em processos, políticas ou limitações físicas.
- Substituir feedbacks por treinamentos: Muitos gestores preferem solicitar T&D para questões comportamentais, quando a solução seria diálogo franco e acompanhamento de resultados.
- Negligenciar o LNT (Levantamento de Necessidades de Treinamento): Deixar de diagnosticar se o problema é falta de saber, de querer ou de condições para executar o trabalho.
- Ignorar dados objetivos na formulação dos treinamentos: Decidir baseando-se em achismos, sem analisar avaliações de desempenho, erros operacionais, resultados de clima ou entrevistas de desligamento.
- Uniformizar quando se deve personalizar: Tratar equipes heterogêneas como se todos tivessem as mesmas lacunas e necessidades, ignorando perfis individuais.
- Desconsiderar o tempo e o impacto na operação: Não medir o custo do tempo dos funcionários “parados” em treinamento e o que deixou de ser entregue à empresa.
- Não aproveitar a tecnologia: Deixar de usar plataformas digitais que possam mensurar impacto, apontar demandas personalizadas e conectar T&D aos resultados concretos.
A combinação destes erros cria um efeito dominó silencioso: o RH perde credibilidade, os gestores sentem-se “não ouvidos” e os colaboradores enxergam os treinamentos como eventos meramente protocolares.

Como diferenciar problema real de solicitação equivocada?
No centro dessa reflexão está o Levantamento de Necessidades de Treinamento (LNT). Trata-se de um processo que vai além do simples levantamento de pedidos. O LNT é, na verdade, um diagnóstico que separa sintomas verdadeiros de impressões superficiais.
Falta de saber, falta de querer ou falta de condições?
O ponto de partida do LNT é uma triagem objetiva:
- Falta de saber: Quando a pessoa não sabe executar determinada tarefa ou não domina algum conceito, treinamento é o caminho.
- Falta de querer: Quando há conhecimento, mas não há entrega ou interesse, a solução está na gestão, em feedbacks estruturados e alinhamento de metas.
- Falta de condições: Ocasionalmente, o problema não é de aptidão ou vontade, mas de ausência de recursos, ferramentas ou processos adequados.
Já acompanhamos situações em que gestores sugeriram treinamentos de comunicação após uma pesquisa de clima revelar que “há problemas de comunicação entre áreas”. O LNT, quando aplicado, mostrou que a real dor era a lentidão na assinatura de contratos e a falta de padronização de informações, o que exigia um redesenho de processos e não exatamente um treinamento em comunicação.
“O sintoma não é, necessariamente, a causa.”
Quando o RH ouve com atenção e questiona “qual é exatamente o desafio que enfrentamos?”, o papel evolui de executor para consultor. E então, T&D volta a ser visto como instrumento de crescimento, e não de formalidade.
O perigo de treinar a pessoa errada
Poucas imagens são tão desanimadoras quanto uma sala cheia de profissionais pensando silenciosamente “eu não precisava estar aqui”. Esse é um efeito colateral direto do treinamento mal direcionado. A frustração se instala, o absenteísmo nas próximas convocações aumenta e se forma um ciclo negativo.
Pior: treinar colaboradores que não enfrentam o problema em questão pode, além de onerar o orçamento, mascarar o verdadeiro ponto de atrito da operação.
Segundo o estudo realizado pela FGV Clear em colaboração com o JPMorgan, 85% das empresas paulistas revisam continuamente as necessidades de treinamento devido à mutação constante das demandas de mercado. Isso ilustra a urgência do ajuste fino nas estratégias de T&D.
Custos ocultos: por que ninguém percebe de imediato?
Investir em treinamento costuma ser visto com bons olhos por todos na empresa, mas nem sempre um número alto de horas treinadas significa evolução. Os prejuízos ocultos aparecem em detalhes do dia a dia:
- Reuniões de alinhamento atoladas de pautas sobre treinamentos em andamento.
- Colaboradores engajados apenas por obrigação, sem conexão real com o conteúdo.
- Queda de entrega devido à ausência nas tarefas principais, sobrecarga dos colegas que ficam na operação.
- Clima de insatisfação e descrença no potencial transformador do desenvolvimento corporativo.
Além disso, há o risco de o RH ser visto como um departamento “que empurra soluções”, ao invés de contribuir de modo consultivo. Recursos tecnológicos avançaram justamente para ajudar a evitar esses cenários.
Colocando os dados a serviço do RH consultivo
Uma das formas mais seguras de fugir dos mitos do treinamento em massa está na análise dos dados. Existem inúmeros indicadores no dia a dia corporativo que ajudam a construir diagnósticos mais precisos, como:
- Resultados de avaliação de desempenho: onde estão os maiores gaps e potenciais talentos?
- Erros operacionais recorrentes: são ligados à falta de conhecimento ou falta de processo?
- Entrevistas de desligamento e pesquisas de clima: apontam para ruídos de comunicação, processos ineficientes ou problemas de liderança?
Quando usamos essas fontes, conseguimos definir “personas” de desenvolvimento e propor intervenções cirúrgicas. Por exemplo, em vez de treinar 100 pessoas da área de vendas por 8 horas, pode ser mais efetivo reunir apenas os que têm maior índice de retrabalho para um workshop específico de duas horas.
Além disso, o uso de relatórios auditáveis e informações integradas, como proporcionados por plataformas digitais de T&D, torna possível acompanhar o retorno de cada ação, e explicar aos gestores onde e por que se investiu em cada colaborador.

Personalização versus padronização: um caminho sem volta
Uma das grandes barreiras para o real impacto do treinamento no RH é a ideia de que todos aprendem do mesmo jeito e que todas as equipes têm as mesmas necessidades. Isso não corresponde à realidade dos ambientes corporativos. Trilhas personalizadas e foco em grupos menores proporcionam absorção quase sempre superior.
A tecnologia nos trouxe a possibilidade de automatizar a indicação de cursos, mapear habilidades, distribuir conteúdos e monitorar engajamento individual ou por grupos. Ferramentas como o Maestrus permitem auditoria, controle de frequência, emissão automática de certificados e criação de programas flexíveis.
Isso faz mais sentido quando analisamos a constante revisão das necessidades formativas apontada por grandes estudos. Empresas que mapeiam suas reais carências conseguem não só economizar, mas também criar cultura de aprendizagem contínua alinhada ao negócio.
Exemplo prático: diagnóstico com base em dados
Imagine uma situação em que o RH identifica aumento de erros em lançamentos financeiros. O levantamento mostra que apenas 18% dos colaboradores do setor realmente apresentaram falha por desconhecimento do sistema; os demais tinham acesso limitado devido à ausência de permissões no ERP.
Nesse caso, um treinamento só para quem apresentou lacuna, e uma revisão de permissões para os demais, gera economia expressiva e maior satisfação da equipe.
O papel transformador da tecnologia em T&D
A evolução das plataformas digitais mudou profundamente a forma como conduzimos o T&D. Recorrendo a soluções como a Maestrus, é possível automatizar processos, emitir certificados eletrônicos com validação, cruzar informações da avaliação de desempenho e criar trilhas únicas por colaborador.
E não se trata de um luxo: o uso adequado da tecnologia é a diferença entre gastar com volume ou investir com inteligência. Com dashboards, relatórios auditáveis e recursos de integração com e-commerce ou sistemas de pagamento, cada iniciativa pode ser mensurada de forma transparente.
Encontrar esse equilíbrio digital é o que permite ao RH sair do papel operacional para assumir protagonismo, validando cada investimento em treinamento junto às áreas de negócio.

O poder da pergunta certa antes de treinar
Em toda jornada de T&D, há uma pergunta fundamental: “O que realmente estamos tentando resolver?” Muitas vezes, a ansiedade em entregar soluções rápidas leva o RH a pular etapas e oferecer treinamentos generalistas, e assim, o retorno do investimento simplesmente não aparece.
Conversas aprofundadas, análise de dados e envolvimento do negócio tornam possível alinhar cada treinamento ao desafio real da empresa. Só assim evitamos o fracasso de programas, por melhor desenhados que sejam, quando não atacam a raiz do problema.
A evolução do papel do RH, de executor para consultor, cria vínculo, credibilidade e resultados que são percebidos por toda a organização.
Dicas práticas para evitar desperdícios em treinamentos
Para que o desenvolvimento realmente aconteça, algumas práticas devem se tornar rotina:
- Ouvir atentamente os gestores e desafiar pedidos genéricos de treinamento.
- Investigar os fatos antes de propor soluções, usando dados, entrevistas e avaliações de desempenho.
- Personalizar trilhas de aprendizagem e evitar convocar todos para todos os treinamentos.
- Utilizar recursos tecnológicos para mensurar resultados e emitir relatórios objetivos.
- Rever políticas e processos anualmente, alinhando o T&D à estratégia da empresa.
Ao seguir essas diretrizes, é possível construir um RH reconhecido por gerar valor real e ajudar na transformação da cultura organizacional.
Integração, compliance e gestão do conhecimento
Outros desafios em treinamentos massivos estão na consistência dos processos e integração entre sistemas, especialmente quando buscamos conformidade regulatória e padronização de resultados. Integrar plataformas EAD ao sistema de RH garante não só eficiência, mas atualização em tempo real das competências mapeadas, reduzindo retrabalho e auditando conformidade para entidades reguladoras, como detalhado em conteúdos sobre compliance no universo corporativo.
A gestão da aprendizagem digital, com recursos de automatização de emissão de certificados e trilhas modulares, também aproxima a aprendizagem do negócio, como mostramos em nossa seção de treinamentos online.
Essa inteligência permite que, em vez de “treinar todo mundo para não errar”, as empresas passem a investir em conhecimento como diferencial estratégico.
Orientação final: o próximo passo para empresas que querem mais resultado
Na condução de projetos de T&D, vemos que o maior salto ocorre quando o RH alia tecnologia, dados e escuta ativa. O uso de plataformas especializadas, como o Maestrus, auxilia a organizar trilhas formativas, automatizar relatórios e documentar resultados. Essas soluções tornam possível padronizar fluxos, monitorar evolução e gerar relatórios auditáveis de maneira simples. O resultado? Um RH muito mais estratégico, consultivo e reconhecido por entregar valor ao negócio.
Se você busca evoluir, recomendamos iniciar por uma análise das demandas reais da sua equipe e testar ferramentas que apoiam esse objetivo, como a Maestrus. Emoção e senso de urgência não substituem análise e inteligência, e o próximo passo está ao alcance de quem decide mudar.
Perguntas frequentes sobre treinamento em massa no RH
O que é treinamento em massa no RH?
Treinamento em massa no RH é a prática de aplicar programas de capacitação para grandes grupos de colaboradores ao mesmo tempo, geralmente sem personalização, com base em uma percepção geral de necessidade, e não em diagnóstico detalhado. Essa abordagem pode parecer eficiente, mas frequentemente ignora as reais lacunas de conhecimento e gera desperdício de tempo e recursos, já que nem todos os participantes precisam do mesmo desenvolvimento naquele momento.
Quais os principais erros nesse tipo de treinamento?
Os erros mais comuns são: aplicar treinamento sem diagnóstico adequado (seguindo o impulso de “na dúvida, treina todo mundo”), ignorar as diferenças individuais entre os colaboradores, confundir problemas de sistema/processo com falta de capacitação, substituir gestão ou feedbacks por treinamento, não medir o impacto real do tempo dedicado à capacitação, desconsiderar custos ocultos como a perda de produção, e deixar de usar tecnologia para direcionar e mensurar resultados.
Como evitar prejuízos ocultos no RH?
Para evitar prejuízos ocultos, é fundamental realizar um Levantamento de Necessidades de Treinamento estruturado, analisar dados (como avaliações de desempenho e pesquisas de clima), personalizar trilhas de aprendizagem, limitar treinamentos a quem realmente apresenta lacunas, usar soluções tecnológicas para acompanhamento de resultados e envolver gestores como parceiros no processo. O alinhamento entre diagnóstico preciso e ação é o caminho para o retorno real do investimento em T&D.
Treinamento em massa realmente vale a pena?
Na maioria dos cenários, treinamento em massa só vale a pena quando há necessidades comuns a todos, como obrigatoriedades legais ou cultura organizacional. Fora isso, seu uso indiscriminado raramente compensa: há baixo engajamento, menores chances de mudança comportamental e custos desproporcionais. A personalização quase sempre traz mais retorno que a padronização em massa.
Quais os benefícios de personalizar treinamentos?
Personalizar treinamentos significa entregar o conteúdo certo para as pessoas certas, no momento certo. Entre os benefícios estão: maior engajamento dos colaboradores, maior facilidade de transferir o aprendizado para o dia a dia, economia de tempo e recursos, resultados mensuráveis e construção de uma cultura de desenvolvimento alinhada à estratégia da empresa. Ferramentas digitais tornam esse caminho mais simples e prático, potencializando os ganhos institucionais e individuais.
