Equipe de RH em sala de reunião observando treinamento corporativo vazio e pouco aproveitado
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Ao longo de nossa experiência acompanhando os desafios dos departamentos de RH, nos deparamos com um cenário inquietante: a adoção de treinamentos corporativos sem critério, que não atendem às necessidades reais dos colaboradores. O que à primeira vista parece apenas um mal aproveitamento de recursos, na verdade esconde impactos muito maiores, especialmente para a credibilidade e para os resultados do próprio RH.

Neste artigo, vamos apresentar um panorama completo dos custos invisíveis relacionados ao treinamento desnecessário, destrinchar suas consequências práticas e abordar caminhos para evitá-los, numa perspectiva baseada em dados recentes e no que presenciamos nas empresas que atendemos através de soluções como o Maestrus.

O que realmente é um treinamento desnecessário?

Treinamento desnecessário é toda ação de desenvolvimento que não agrega valor concreto ao colaborador, nem à estratégia do negócio. Isso ocorre quando o conteúdo é irrelevante para a função, já foi absorvido anteriormente, não se relaciona às demandas presentes ou futuras, ou quando não há clareza sobre o objetivo do treinamento. Podemos exemplificar com alguns cenários:

  • Workshops obrigatórios sobre temas dominados por todos do setor;
  • Capacitações genéricas sem ligação com metas ou processos internos;
  • Palestras motivacionais repetidas, que não trazem novidades ou benefícios aplicados;
  • Programas de compliance para áreas que não lidam com os riscos em questão;
  • Obrigações impostas por exigências externas sem análise de aderência real às atividades do público.

Quando um treinamento não é planejado a partir de levantamentos e diálogos com os gestores, esse risco aumenta ainda mais. O resultado pode ser um distanciamento entre o que se espera do colaborador e aquilo que efetivamente é oferecido.

Os custos invisíveis: muito além do que é investido na sala de aula

É tentador pensar que o maior custo do treinamento desnecessário está na contratação do instrutor ou na assinatura de uma plataforma. No entanto, ignorar os impactos indiretos pode gerar prejuízos muito mais expressivos. Na nossa experiência, esses efeitos podem ser agrupados em quatro grandes blocos:

O tempo na sala de treinamento não é tempo de produção.

1. Perda de tempo produtivo coletivo

Quando reunimos equipes inteiras para um curso desnecessário, a soma de horas-paradas impacta diretamente prazos, entregas e até mesmo indicadores financeiros. Imagine um time de dez pessoas, todas parando suas atividades durante quatro horas para um assunto já dominado. Esse tempo poderia ser usado em tarefas que geram receita, sustentam projetos ou melhoram o atendimento ao cliente.

2. Custo de oportunidade: o que deixamos de realizar?

Além do salário do instrutor ou do custo por usuário na plataforma, existe um valor muitas vezes ignorado: a diferença entre o que a equipe poderia entregar naquele período e o que efetivamente deixa de ser entregue. O custo de oportunidade pode, inclusive, superar o investimento direto no treinamento. Em setores como vendas ou atendimento, esse impacto imediato é sentido até no faturamento mensal.

Equipe reunida em sala de treinamento olhando para apresentação enquanto tarefas acumulam na mesa

3. Desgaste do RH perante os colaboradores

Um aspecto frequentemente esquecido é a imagem do RH internamente. Quando promovemos treinamentos que não fazem sentido para o público, transmitimos a ideia de que desconhecemos sua rotina e que não ouvimos suas necessidades. O colaborador pode se perguntar: “Por que estou sendo treinado novamente sobre algo que domino?” ou pior, “Será que meu gestor vê meu trabalho?” Esse sentimento mina a confiança não só na área de Recursos Humanos, mas em toda a liderança.

4. Engajamento comprometido e ciclo negativo

Quando treinamentos são vistos como burocráticos, a consequência direta é a resistência crescente a participar de futuras ações, inclusive aquelas realmente benéficas. Pesquisas recentes, como a da FGV EAESP, apontam que o engajamento no trabalho atingiu em 2023 o menor nível da série histórica no Brasil, com impacto econômico anual superior a R$ 77 bilhões. Uma parte significativa desse valor se relaciona à rotatividade (R$ 71 bilhões) e ao chamado presenteísmo, quando o colaborador está presente fisicamente, mas pouco engajado (R$ 6,3 bilhões).

Treinamento desnecessário não só contribui para a desmotivação, mas cria o terreno ideal para o presenteísmo, sentimento de injustiça e queda no engajamento futuro.

Como o treinamento desnecessário prejudica a estratégia de T&D?

Programas de T&D (treinamento e desenvolvimento) têm grande potencial para transformar resultados, atrair talentos e aumentar o valor percebido pelo colaborador. No entanto, sem alinhamento com as reais demandas, as ações tornam-se mero cumprimento de calendário ou de normas, perdendo legitimidade frente à equipe.

O ciclo do descrédito

  • Engajamento inicial: os primeiros treinamentos são recebidos com interesse;
  • Frustração: percebe-se que os conteúdos não atendem necessidades;
  • Burocratização: cresce o sentimento de obrigação, não oportunidade;
  • Resistência: colaboradores boicotam, evitam participar ou demonstram apatia;
  • Mínimo impacto: ações futuras realmente relevantes são “contaminadas” pela imagem negativa.

Esse ciclo tem sido apontado por diversos gestores de RH, especialmente em contextos onde o turnover é alto e a empresa busca mecanismos para retenção. Em nossa atuação junto a clientes do Maestrus, notamos que o ajuste dos treinamentos ao perfil dos times e uma análise constante das necessidades ajudam a evitar esse efeito dominó.

Impactos financeiros: como calcular o prejuízo real?

Vamos dar um exemplo prático para dimensionar os valores envolvidos. Imagine uma organização de médio porte, que realiza treinamentos mensais para turmas de 20 pessoas, ao custo de R$ 600 por colaborador, incluindo material, instrutor e uso da plataforma. Isso representa um investimento direto de R$ 12.000 mensais.

No entanto, se cada colaborador passa quatro horas indisponível de sua função, com remuneração média de R$ 50/hora, o custo indireto por treinamento salta para mais R$ 4.000, apenas em horas de trabalho. Se parte da equipe atua em posições-chave, a entrega ou faturamento perdido pode elevar em até 20% esse valor. Ou seja, o resultado final ultrapassa facilmente os R$ 20.000 por mês, caso o treinamento não gere resultados tangíveis.

A soma do investimento contabilizado e o custo do tempo perdido é maior do que geralmente imaginamos.

Além dos valores, há impactos difíceis de quantificar, mas reais: sobrecarga em outros turnos, clima interno ruim, prejuízo de imagem para a área de T&D e a sensação de que investir em treinamento “não resolve”.

Perda de credibilidade do RH: uma consequência silenciosa

Um dos piores efeitos do treinamento desnecessário é a erosão da relação de confiança entre RH, lideranças e colaboradores.

Sintomas da perda de credibilidade:

  • Pessoas reclamam abertamente sobre a escolha dos temas;
  • Líderes deixam de indicar colaboradores para novas capacitações;
  • Feedbacks constantes alegando irrelevância dos conteúdos;
  • Baixa adesão espontânea a cursos opcionais;
  • Colaboradores completando treinamentos “só para cumprir tabela”.

Esse distanciamento enfraquece a capacidade do RH de assumir um papel consultivo e estratégico. Ao invés de atuar como parceiro de desenvolvimento, o setor pode ser visto como um limitador de tempo útil, e isso reverbera negativamente por meses ou anos.

É importante destacar que essa realidade atinge empresas de todos os portes. Segundo o estudo da FGV Clear, 85% das organizações de setores como saúde, tecnologia e alimentos em São Paulo têm revisto constantemente as necessidades de treinamento. Isso mostra o quanto o tema está na pauta estratégica, exatamente porque erros nesse aspecto geram impactos fortes.

Reunião de RH com funcionários insatisfeitos e cabisbaixos em sala de reuniões

A resistência do colaborador a novos treinamentos: causas e consequências

Quando colaboradores têm experiências negativas com treinamentos equivocados, passam a desacreditar em futuras iniciativas, ainda que estas tragam reais oportunidades de crescimento. Alguns dos efeitos práticos desse cenário:

  • Diminuição do interesse em processos de onboarding, prejudicando a integração;
  • Desvalorização de formações obrigatórias ligadas a compliance, criando riscos legais e operacionais;
  • Abandono de trilhas de desenvolvimento importantes para evolução de carreira interna;
  • Burocratização do T&D, tornando relatórios e registros um fim em si mesmo.

Pesquisas recentes mostram que essa falta de engajamento em treinamentos pode aumentar a rotatividade, o absenteísmo e comprometer metas de inovação e retenção. Topar o ciclo do descrédito é algo que podemos evitar, investigando causas a partir de avaliações sinceras do programa de T&D e abrindo espaço para escuta ativa dos colaboradores.

Diagnóstico assertivo: o primeiro passo para não desperdiçar recursos

O ponto de partida para reverter a tendência dos treinamentos desnecessários envolve uma análise honesta do cenário, mapeando:

  • Quais necessidades do time permanecem não atendidas?
  • Quais treinamentos foram aplicados só por tradição ou por obrigação?
  • Que temas realmente agregaram valor, e por quê?
  • Como as lideranças avaliam o impacto sobre os resultados?

Dentre as melhores práticas, sugerimos processos:

  • Levantamento contínuo de demandas, por meio de pesquisas, entrevistas e dashboards de desempenho;
  • Revisão periódica dos treinamentos oferecidos, alinhando-os à estratégia do negócio e aos feedbacks das equipes;
  • Parceria com gestores de área para indicação de tópicos relevantes e acompanhamento de aplicação prática no dia a dia;
  • Inclusão de avaliações pós-treinamento, buscando medir eficácia e retenção de conhecimento.

Nossas trocas com líderes de RH mostram que a integração entre o time de gestão de pessoas e as áreas técnicas é uma chave poderosa para evitar desperdícios e fortalecer a entrega de valor por meio do T&D. Inclusive, esse tema é detalhado em conteúdos como como integrar plataformas EAD ao sistema de RH.

Como construir uma cultura de treinamento relevante?

Criar uma cultura no qual o treinamento é visto como valioso e prático depende de alguns fatores:

Programa de treinamento relevante começa com escuta.
  • Alinhar calendários de T&D aos períodos e demandas do negócio;
  • Incluir avaliações diagnósticas para identificar gaps reais;
  • Adaptar conteúdos segundo o perfil do público;
  • Permitir que os colaboradores sugiram temas e avaliem o impacto das ações;
  • Investir em formatos flexíveis, como trilhas online, integração de conteúdos e autoaprendizagem.

Empresas que apostam nesse caminho geralmente conseguem alcançar índices superiores de engajamento, reduzindo a rotatividade e fortalecendo o sentido de pertencimento, tópicos abordados na categoria sobre onboarding e retenção de talentos.

Padronização, automação e avaliação: caminhos para RH estratégico

Para evitarmos o desperdício massivo e elevarmos o padrão dos treinamentos, é valioso incluir controles e ferramentas que apoiem o ciclo completo, do diagnóstico à avaliação final. Plataformas como o Maestrus oferecem recursos que transformam a gestão de T&D:

  • Gestão centralizada de trilhas, avaliações e certificados;
  • Relatórios detalhados para auditoria e compliance;
  • Diversos formatos de treinamento (vídeo, quiz, simulação, presencial);
  • Emissão automática de certificados personalizados, inclusive por módulo;
  • Integração com sistemas de RH, ERP e e-commerce.

Assim, conseguimos seguir tendências apontadas em recursos especializados sobre o tema, como a gestão de T&D efetiva e casos de sucesso em desenvolvimento de pessoas.

Tela de computador com dashboard de plataforma EAD mostrando relatórios de treinamento e gráficos de desempenho

Essas ferramentas não eliminam o olhar humano, mas potencializam a atuação consultiva do RH, oferecendo dados que fundamentam decisões e apoiam o diálogo com lideranças e equipes.

Evite o ciclo do descrédito: orientações práticas para evoluir seu processo de treinamento

Ao refletirmos sobre todos esses pontos, fica claro que treinar por treinar é desperdiçar energia, tempo e dinheiro, e ainda comprometer a imagem do RH. Nossa orientação prática para quem deseja evoluir nesse sentido inclui:

  • Criar espaços contínuos de escuta com times, antes e depois dos treinamentos;
  • Alinhar conteúdos à estratégia organizacional e aos desafios diários das equipes;
  • Investir em formatos flexíveis, que permitam acesso sob demanda, reduzindo paralisações;
  • Usar dados para mensurar impacto real e ajustar os planos conforme a resposta obtida;
  • Contar com plataformas especializadas, como o Maestrus, para padronizar, automatizar e garantir relatórios confiáveis de todo processo.

Desta forma, protegemos o RH do desgaste, aumentamos o valor percebido do T&D e transformamos a experiência dos nossos times. Não se trata apenas de economia financeira, mas de preservar e aumentar a confiança nas ações de desenvolvimento que realmente fazem a diferença para o futuro da empresa.

Conclusão

Treinamentos desnecessários custam caro, não só em dinheiro, mas em engajamento, credibilidade e estratégia. O crescimento das empresas passa, cada vez mais, por ações de desenvolvimento alinhadas à realidade dos colaboradores, transparentes e passíveis de mensuração. Reforçamos: o prejuízo financeiro supera o valor investido diretamente, impactando clima, confiança e resultados do RH. Ao adotar metodologias modernas e investir em sistemas robustos de gestão, como o Maestrus, é possível evitar desperdícios e fortalecer a cultura de aprendizado contínuo na empresa.

Se o seu time busca elevar o padrão dos treinamentos, convidamos você a conhecer mais sobre as experiências, recursos e insights disponíveis em nossa plataforma. Entenda como podemos apoiar a transformação do desenvolvimento de pessoas na sua organização e garanta a relevância do T&D, sem desperdícios.

Perguntas frequentes sobre custos de treinamento desnecessário

O que é treinamento desnecessário no RH?

Treinamento desnecessário no RH é toda ação que não atende a uma necessidade concreta do colaborador ou da organização. Isso inclui formações repetitivas, conteúdos sem relação com as atividades ou obrigatoriedades mal contextualizadas, causando desperdício de tempo e recursos.

Como identificar treinamentos desnecessários na empresa?

Primeiro, observe o grau de aplicabilidade do conteúdo na rotina dos participantes e solicite feedbacks sinceros logo após cada ação. Treinamentos que geram reclamações, pouca participação espontânea e não apresentam impacto nas metas tendem a ser desnecessários. Além disso, falta de alinhamento entre as formações e o planejamento estratégico é outro sinal claro.

Quais os custos de um treinamento desnecessário?

Os custos envolvem o valor investido na contratação (instrutor, material, plataforma), as horas de trabalho perdidas, o custo de oportunidade do que deixa de ser entregue e o desgaste da imagem do RH frente aos colaboradores. Esses prejuízos podem ser expressivos e comprometer outras ações relevantes do setor.

Como evitar desperdício com treinamentos no RH?

O segredo está em diagnosticar necessidades reais, ouvir os gestores e os próprios colaboradores, usar dados para embasar decisões e acompanhar o impacto de cada ação. Ferramentas como o Maestrus ajudam a padronizar processos e criar ciclos de melhoria contínua, tornando o T&D mais estratégico e menos burocrático.

Vale a pena investir em qualquer treinamento?

Não. O investimento deve ser feito em treinamentos alinhados às demandas do negócio e dos colaboradores. Formações aplicadas sem análise de contexto dificilmente geram resultados e podem comprometer o engajamento em iniciativas futuras. Avaliar dados e resultados é fundamental para garantir o retorno esperado.

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O Maestrus é uma plataforma completa de treinamento corporativo. Ele permite criar, organizar e aplicar trilhas de capacitação com provas, avaliações, certificados e relatórios detalhados.

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